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    Manifesto 2016-2019

    A mobilidade elétrica |contributo para os desafios de 2050

     

    1. A mobilidade elétrica hoje

    A Associação Portuguesa do Veículo Elétrico (APVE) foi criada em 1999 para promover a mobilidade elétrica em Portugal. Desde então, a difusão da mobilidade elétrica conheceu um significativo desenvolvimento em todo o mundo e também em Portugal.

    Na última década, foram vendidos milhões de veículos elétricos e híbridos e já não estamos na fase de demonstração. Os veículos elétricos já são uma realidade e recentemente foi colocado à venda um veículo com autonomia para cerca de 250Km. Também as infraestruturas de carregamento têm evoluído, são visíveis por todas as grandes e médias cidades na Europa e os supercarregadores têm uma capacidade de carga em cerca de 30 min.

    Há veículos disponíveis no mercado de fabricantes diversos desde as marcas já instaladas no mercado até a novas marcas produzidas por empresas dedicadas. Esta realidade aplica-se quer aos veículos automóveis quer aos veículos de duas rodas.

    Várias dezenas de modelos de veículos elétricos encontram-se atualmente no mercado, com origem nas maiores marcas e em empresas start-up.

    É um facto incontornável a necessidade de políticas públicas atentas à mobilidade elétrica assentes em dados credíveis com impactos monitorizáveis. O desenvolvimento nas comunidades urbanas não pode ignorar este ator que veio para ficar. Um grande número de cidades (incluindo agências de energia, operadores de transportes, etc.) tem mostrado grande interesse e empenho na implementação da mobilidade elétrica, como facilitadores e integradores; vários governos, incluindo Portugal, definiram planos de promoção da mobilidade eléctrica; a nível internacional, nos países da OCDE há um enorme esforço no desenho de estratégias para a mobilidades elétrica (ex. Implementation Agreement HEV) subscrito por vários Estados, incluindo Portugal.

    A APVE pretende continuar a contribuir para que Portugal possa beneficiar da evolução do sector, nomeadamente facilitando a formação de consensos sobre a estratégia e sobre o enquadramento a criar em Portugal, através da acção concertada dos principais actores industriais, académicos e institucionais, mantendo o alinhamento da sua actuação com as grandes tendências internacionais.

     

    2. O contexto português

    O sucesso do veículo elétrico depende de vários fatores, que podemos agrupar em duas categorias: fatores internos à indústria da mobilidade elétrica e fatores externos. Entre os primeiros destacam-se o custo e o desempenho dos próprios veículos, a extensão e acessibilidade das redes de carregamento e a existência de modelos adequados de negócio. Entre os segundos sobressaem o conteúdo de CO2 da eletricidade utilizada e a existência de redes inteligentes de distribuição de energia elétrica.

    Portugal não possui uma indústria nacional de veículos elétricos de massa e dificilmente poderá aspirar a tornar-se um ator relevante no mercado mundial dos automóveis elétricos, face ao poder de mercado dos construtores automóveis já estabelecidos. Pode, no entanto, como acontece na indústria tradicional automóvel, ser um fornecedor importante de componentes e pode também desenvolver nichos de mercado, tanto no segmento 4 rodas como no segmento 2 rodas, ou em novos modos de mobildade (bike, car sharing/pooling, micro logística urbana, etc.).

    Portugal possui uma das redes de carregamento de veículos elétricos mais extensa do mundo que urge revisitar e atualizar face aos desenvolvimento do setor. Há ainda que compatibilizar esta infraestrutura com iniciativas privadas e/ou com o veículo como armazenador de energia e fornecedor para a rede.

    Existe uma janela de oportunidade para a indústria portuguesa poder criar efetivamente produtos e serviços que tenham potencial de exportação e utilização no mercado nacional, e assim criar um polo de competitividade na área.

    No que diz respeito aos fatores externos, ou de contexto, Portugal usufrui de condições privilegiadas:

    Portugal já tem 50% da sua potência instalada assente em fontes renováveis e por várias vezes tem produzido toda a energia necessária para alimentação do consumo por vista daquelas fontes. Este exemplo deverá também ser seguido na descarbonização do setor dos transportes para o cumprimento das metas nacionais de redução das emissões de gases de efeito de estufa. O excesso de energia renovável em determinados períodos do ano é uma oportunidade e incentivo para a penetração do veículo elétrico que só faz sentido se alimentado pela “energia verde”.

    Portugal é um país pioneiro nas redes inteligentes, ao nível de projetos-piloto premidos internacionalmente e na investigação aplicada e indústria de contagem inteligente. Ora, estas redes são ideais ao diálogo com os consumidores/produtores detentores de VE.

    Para que Portugal possa maximizar os benefícios decorrentes da mobilidade elétrica, é fundamental que as políticas públicas de energia, clima e mobilidade sejam adequadamente coordenadas entre elas e devidamente articuladas entre o nível nacional e o nível local (municipal ou intermunicipal), tendo em conta o alinhamento europeu e internacional.

    Ao nível local, o veículo elétrico possui um elevado potencial de utilização, enquanto fator de eficiência energética e ambiental, o que lhe confere um importante papel no paradigma da mobilidade sustentável. Estima-se que até 2020 cerca de 85% da população europeia viverá em cidades, pelo que quaisquer políticas de sustentabilidade assentes na eficiência na utilização de recursos energéticos passam, forçosamente, por uma eficaz atuação a nível local.

    A concretização das estratégias locais de desenvolvimento sustentável, atualmente um desígnio dos municípios mais avançados que se pretendem assumir como cidades inteligentes e passa pela aposta inequívoca na eficiência da utilização dos diferentes recursos nos seus territórios, a eficiência energética assume aqui um importante papel, consubstanciado através dos compromissos locais para a redução de consumos de energia e de emissões de gases com efeito de estufa, como o Pacto dos Autarcas, e beneficiará da aposta na mobilidade elétrica que se deverá também aplicar aos transportes públicos.

     

    3. O papel da APVE

    A APVE tem por objeto estatutário “a promoção de uma ampla utilização de veículos com propulsão elétrica, integrada numa política de transportes e mobilidade sustentável”.

    Na primeira fase da sua atividade, a APVE assumiu um papel essencialmente difusor de informação sobre mobilidade elétrica: organizou conferências, criou uma página na internet, publicou relatórios e boletins de informação, patrocinou projetos-piloto e sessões de demonstração e experimentação de veículos elétricos (em particular autocarros em ambiente urbano), traduziu normas internacionais, assumindo as funções de Organismo de Normalização Sectorial (ONS), desenvolveu relações e parcerias internacionais, etc.. Com o aumento da maturidade do setor  é chegado o momento da APVE assumir um papel mais interventivo juntos de todos os atores com papel ativo na promoção do VE.

    A atividade informativa deve ser reforçada. Contudo, a APVE deve também assumir um papel mais ativo com reconhecimento pela indústria, universidades, politécnicos e organismos de investigação, organismos do Estado e do poder local assim como consumidores sempre em articulação com outras associações, nomeadamente nas áreas dos transportes, energia e ambiente.

    À APVE cabe mobilizar as competências e os recursos disponíveis no sentido de definir e apoiar as estratégias mais adequadas à transição da mobilidade eléctrica de uma fase de investigação e demonstração para uma fase de concretização industrial e comercial em larga escala, criando as condições necessárias para a formação de um cluster de desenvolvimento de tecnologia e know-how para aplicação em Portugal e para exportação.

    Neste sentido, a APVE deve reunir o conhecimento dos seus membros e alinhar e coordenar os seus interesses, assegurando eficazmente as seguintes funções:

    Produzir informação objetiva para decisores e para as políticas públicas quer nas oportunidades de desenvolvimento tecnológico quer no contributo para a eficiência energética.

    Disseminar a informação recolhida e trabalhada às comunidades locais, à indústria e ao governo cumprindo todos os acordos de confidencialidade sempre que se aplique.

    Colaborar em e com projetos de investigação na ótica de identificar áreas promissoras para o desenvolvimento do setor em toda a sua cadeia de valor.

    Ser uma plataforma de informação relevante e fiável.

    Promover a disseminação da mobilidade elétrica em Portugal e a divulgação do sector industrial no estrangeiro, em colaboração com os organismos relevantes do Estado.

    Contribuir para a criação de um nicho de mercado em que Portugal seja uma referência na investigação, inovação e implementação através de ações que visem:

    Criar relações estreitas com os diferentes atores e iniciativas, promovendo parcerias com todos os intervenientes relevantes em particular com a iniciativa MOBINOV

    Estudar e desenvolver as cadeias de valor e propor a aplicação de critérios de sustentabilidade

    Desenvolver estratégias globais de fornecimento da indústria de componentes e seus clientes.

    Assegurar a representação de todo o sector português nos grupos de normalização internacional CEN /ISO e CENELEC/IEC, através das Comissões Técnicas, para que os interesses do nosso País sejam ouvidos e o sector possa ter conhecimento, o mais actualizado possível, das iniciativas internacionais.

     

     

    4. Funcionamento da APVE

    Para cumprimento da sua missão em pleno, a APVE tem de ser um fórum de afirmação clara e transparente dos interesses da indústria, para isso proponho que se criem grupos de trabalho em torno de setores específicos, com objetivos concretos, propostas com impactos devidamente quantificados de forma a que a voz da APVE seja ouvida pelos autores das políticas públicas.

     

    Grupos de trabalho já constituídos sem prejuízo da sua revisão:

    1.     Cidades inteligentes e mobilidade

    Enfoque na mobilidade nas cidades e no o papel da mobilidade elétrica. Planear a eletrificação dos transportes nas comunidades urbanas. Envolver a governação das cidades.

    2.     Investigação, desenvolvimento e inovação

    Identificação de necessidades de investigação e desenvolvimento com vista a levar aos gestores das fontes de financiamento necessidades de apoio a projetos concretos, em particular, envolvimento ativo no PO SEUR.

    3.     Veículos

    Acompanhamento da evolução técnica dos veículos elétricos, incluindo os híbridos, e promoção da difusão desse conhecimento em Portugal. Apoio não discriminatório às campanhas promocionais dos seus associados. Analisar oportunidades de melhoria da cadeia de valor.

    4.     Infraestruturas

    Atualização dos mais recentes desenvolvimentos em termos de equipamento para carregamento. Estudo da logística de redes de carregamento Identificação dos incentivos com melhor relação custo-benefício para apoio ao desenvolvimento das infraestruturas de apoio à mobilidade elétrica.

    5.     Serviços

    Análise de modelos de mercado e de organização da cadeia de valor; promoção de soluções inovadoras em Portugal; apoio à internacionalização de empresas inovadoras associadas.

    6.     Componentes

    Acompanhamento da evolução tecnológica e comercial dos principais componentes de veículos elétricos e apoio à internacionalização de empresas inovadoras em articulação com o setor tradicional.

    7.     Formação

    A APVE reúne as condições para ambicionar ser uma referência no desenvolvimento de iniciativas de formação, agregando as várias competências dos seus associados. Estas ações poderão ter como alvo os associados da APVE, gerando valor através da partilha e transferência de conhecimento entre membros da APVE, ou direcionadas para o seu exterior sempre em articulação com as necessidades do setor apoiando na construção dos conteúdos formativos identificados pelo setor. De notar que no H2020 há programas dedicados à formação setorial para as necessidades da indústria.

    8.     Normalização

    Organização das comissões técnicas de normalização para discussão e tradução das normas internacionais do sector e representação da APVE nos grupos de normalização internacional.

    Nota: A APVE é o organismo de normalização sectorial na área dos veículos eléctricos, reconhecido pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ) no âmbito do Sistema Português da Qualidade (SPQ) , coordenando actualmente duas comissões técnicas de normalização: a CTE 69 – Sistemas Eléctricos para Veículos Eléctricos Rodoviários e a CT 146 – Veículos rodoviários com propulsão eléctrica. Estas comissões técnicas são compostas por mais de 10 entidades (empresas, peritos individuais, instituições de I&D, entre outros) e asseguram a representação nacional perante os comités europeus, nomeadamente no Comité Europeu de Normalização (CEN) e do Comité Europeu de Normalização Electrotécnica (CENELEC).

    O financiamento da APVE deve ser revisto de forma a permitir a contratação dos recursos necessários ao correto funcionamento dos grupos de trabalho e à concretização das iniciativas prioritárias em matéria de cooperação, informação e disseminação.

    A Presidente do Conselho de Administração APVE

    Doutora Teresa Ponce de Leão